Saturday, May 03, 2014

:: Ser Pai ou Mãe ::

Já faz tempo que penso em escrever sobre este assunto. Então depois de conversar com uma amiga brasileira que mora no Canada e que já viu muita gente voltar para o Brasil, resolvi que chegou a hora de postar.

Antes de mais nada, peço que os mimizentos do politicamente correto parem de ler e vão encher o saco de outras pessoas no Facebook. O que vou escrever aqui são minhas opiniões sobre o assunto e são direcionadas tanto a Pais quanto Mães. Mas para me poupar tempo vou usar as palavras "pai" ou "pais" por pura comodidade. Porém sempre estarei querendo dizer "pai e mãe".

Bora lá!

Como vejo, querer ser pai, não é deveria significar querer colocar no mundo alguém para ter sempre por perto, sob nosso controle. Se tu achas que paternidade/maternidade é isso, então pare por aí. Se ainda não tiveste um fiho, não o tenha. Se o que almejas é ter uma criatura sempre por perto, sob seu controle, etc, melhor adotar um animal de estimação, seja ele cão, gato, peixe, etc. Filho, ser humano, não é para isso.

Filho é para ser cuidado, educado, guiado até ter idade de "se virar", de encarar o mundo por conta própria. Sim, nós pais não deixamos de nos preocupar com nossos filhos, desde quando nascem até..... até o final dos tempos.

Pais não devem querer escolher a profissão dos filhos. Sim, muitos pais sonham que seus filhos sejam pessoas importantes, médicos, advogados, engenheiros, etc. Mas se o filho escolhe outro caminho, que assim seja. Acredito que os pais só devem interferir quando os filhos escolhem CAMINHOS ERRADOS. Que caminhos são esses? Caminhos que levem à ilegalidade, criminalidade, etc.

Quando eu era pequeno (não lembro a idade com exatidão), de tanto ouvir adultos dizerem "meu filho será isso ou meu filho será aquilo..." acabei perguntando "Pai, o que tu quer que eu seja quando crescer?" Ao que meu pai respondeu "Nem eu nem tua mãe vamos escolher o que tu vais ser quando crescer. Quem vai escolher é tu. O principal é tu escolher uma profissão que goste. Se tu trabalhar no que gosta e for bom no que faz, o sucesso profissional e financeiro é pura consequência." É por causa de conversas e conselhos desse tipo, que tive tanto dele quanto da minha mãe, que hoje escrevo este post.

Outro exemplo que meus pais me deram quando era pequeno, foi a conversa que tiveram com minha avó. Mudamo-nos para muito longe de Santa Maria quando eu tinha apenas três anos de idade. Então meu pai disse para minha avó que era muito grato por todo o carinho, educação e cuidado que ela teve com ele, mas que agora (a partir do casamento dele e do nascimento dos filhos), nós éramos a família dele, que a principal preocupação dele seria essa família. Mas claro, na medida do possível, ajudaria minha avó e os irmãos dele.

É a partir dessas situações e ensinamentos que eu digo: Não devemos criar nossos filhos para ficarem debaixo de nossas asas. Filhos não devem ser criados PARA A GENTE. Eles devem ser criados PARA O MUNDO. Eles devem ficar sob nossas asas até poderem voar por conta própria (como fazem os pássaros). Daí pra frente, devemos deixá-los tocar suas vidas.

Seu filho é adulto e quer morar na outra ponta do Brasil? Deixe-o ir. Ele quer ir morar em outro país? Deixe-o ir. Ficar choramingando que os filhos estão longe muitas vezes MINA a felicidade deles. Se ele tiver vontade fraca, irá ceder e voltar para perto (ou debaixo) da sua asa e, muito provavelmente, vai se arrepender, algum tempo depois, de ter cedido, mas então será tarde demais.

Ah, nunca pensou em ter filhos ou já pensou bastante e resolveu não os ter? Tranquilo! É um diretio seu e de sua esposa. Entendo e respeito decisões como essa perfeitamente. Por incrível que pareça, tem gente que não entende ou aceita essa escolha. Sabe como é, gente atrasada.

Agradeço aos meus pais pelas orientações, educação e exemplos que deram tanto a mim quanto minhas irmãs.

Bom, estou cansado por conta do feriado (por incrível que pareça). Então vou parando por aqui. Quero só ver se este post vai gerar discussão/debate/mimimi, apesar de não o ter escrito com o intuito de "causar", mas sim de tentar ajudar algumas pessoas a serem menos apegadas aos pais/filhos, de forma a que toquem suas vidas, sejam felizes seguindo seus projetos.

See ya!

4 comments:

Rogerio Cresseri said...

Isso me faz lembrar Monthy Python and The Holy Grail no capítulo "The tail of Sir Lancelot..." Na parte que diz (resumidamente):

- Um dia filho, tudo isso será teu...

- O que, pai, as cortinas?

- Não, não, não, o Reino...

- Mas pai, eu só quero cantar...

Falando sério, é bem isso, temos que aproveitar o tempo e preparar os filhos para o futuro e no máximo ser o Porto Seguro para durante algum fracasso temporário eles terem onde recarregar as energias.

No demais é ficar na arquibancada torcendo pelo sucesso deles.

Abraço.

Inaê Rechia said...

Concordo em gênero número e grau. Eu fui a que foi mais longe de todos. Não me arrependi em nenhum momento e fui muito feliz apesar é claro de sentir muita saudade sempre. Ter retornado me oportunisou novos conhecimentos e oportunidades. Ficar perto dos pais pode ser uma escolha e não deve ser uma obrigação. Eu adoro estar perto da minha Grande família (pais, sogros, tios, etc). Mas se eu achar que tenho novas oportunidades de buscar ainda mais comhecimento e felicidade para mim e meus filhos...com certeza correrei atrás. Acredito que a partir do momento em que temos nossos filhos, nossos passos e atitudes são sempre em busca do melhor para eles.
Bom....que sejamos felizes em nossas escolhas e que sejam escolhas certas :)

Yucatan Costa said...

AHAHAHAHAHA muito bem lembrado, Rogerio. Também não podemos fazer como o tal Rei, que "ajudou" o filho a cair da torre ;)

É mesmo, maninha, saudade sentimos sempre. Mas é parte da vida né.

Rosamaria said...

Só pra incomodar: volta pra SM, a gente fica com muita saudade...

Valeu, cosquiridia, tu ta certo, a vida e assim mesmo.
Bjim proces